sábado, 8 de dezembro de 2007

O Marido que recebeu uma lição

Um homem já na decadência pensou em se casar embora até aquele momento tivesse passado sem mulher, e é possível que a coisa mais tola que fez, de acordo com os seus sentimentos, tenha sido unir-se a uma jovem de dezoito anos, com o rosto mais atraente do mundo e com a cintura não menos proveitosa.
Bernac – esse era o seu nome –, fazia tolice ainda maior desposando uma mulher, porquanto se exercitava o menos possível nos prazeres que concede o himeneu, e muito faltava para que as manias por que trocava os castos e delicados prazeres dos laços conjugais agradassem a uma jovem do porte da srta. Lurcie, pois assim se chamava a infeliz a quem Bernac acabava de participar seu destino.
Desde a primeira noite de núpcias, ele relatou suas preferências à jovem esposa, após tê-la feito jurar nada revelar aos pais dela; tratava-se assim diz o célebre Montesquieu – de procedimento ignominioso que leva de volta à infância: a jovem mulher, na postura de uma menina que merece um corretivo, se prestava então por quinze ou vinte minutos, mais ou menos, aos caprichos bestiais do velho esposo, e era à vista dessa cena que ele conseguia experimentar a deliciosa embriaguez do prazer que todo homem mais bem organizado que Bernac decerto teria desejado sentir apenas nos braços encantadores de Lurcie.
A experiência pareceu um pouco dura àquela moça delicada, bela, educada no conforto mas longe do pedantismo; entretanto, como lhe houvessem recomendado ser submissa, julgou tratar-se aquilo de hábito comum aos esposos, e talvez até mesmo Bernac tivesse contribuído para que pensasse assim, e ela se submeteu de modo mais honesto possível à depravação do seu sátiro; todos os dias era a mesma coisa e, com freqüência, até duas vezes em vez de uma.
Ao cabo de dois anos, a srta. Lurcie, que continuamos a chamar sempre por esse nome, de vez que na ocasião se achava tão virgem quanto no primeiro dia de suas núpcias, perdeu o pai e a mãe, e com eles a esperança de fazer abrandar seus sofrimentos, como começava a figurar já havia algum tempo. Essa perda só fez tornar Bernac mais audacioso, e se mantivera dentro de alguns limites, por respeito aos pais de sua mulher enquanto vivos, não demonstrou mais nenhuma moderação tão logo ela os perdeu e ele percebeu-a incapaz de quem a pudesse vingar.
O que parecia de início apenas um divertimento, tornou-se pouco a pouco um verdadeiro tormento; essa srta. Lurcie não podia mais suportar isso, seu coração se exasperava, e ela sonhava o tempo todo com vingança. Via pouquíssimas pessoas; o marido a isolava tanto quanto possível.
Apesar de todas as admoestações de Bernac, o primo dela, o cavalheiro d’Aldour, não deixara em absoluto de ver sua parenta; esse jovem tinha um belo rosto e não era sem interesse que teimava em visitar a prima; como fosse bastante conhecido de toda a gente, o ciumento, temendo que escarnecessem dele, não ousava muito afastar-se de sua casa...
A srta. Lurcie deitara os olhos nesse parente para se libertar da escravidão na qual vivia: ouvia diariamente as belas palavras do primo, e, por fim, revelou-se por completo a ele, tudo lhe confessando.
– Vingai-me desse homem vil – disse-lhe –, e fazei isso por meio de uma cena que o impressione o bastante para ele próprio jamais ousar falar dela a alguém: o dia em que obtiverdes êxito há de ser o dia de vossa glória; apenas a esse preço serei vossa.
Encantado, d'Aldour tudo promete e só se empenha para o sucesso de uma aventura que vai lhe assegurar tão belos monumentos. Quando tudo está pronto:
– Senhor – diz ele um dia a Bernac –, tenho a honra de ser muito íntimo de vós, e em vós confio o bastante para não deixar de vos participar o matrimônio secreto que acabo de contrair.
– Um matrimônio secreto? – diz Bernac, encantado de se ver livre do rival que o fazia tremer.
– Sim, senhor! Acabo de me unir ao destino de uma esposa encantadora, e amanhã é o dia em que ela me deve tornar feliz; confesso que se trata de uma moça sem bens; mas o que importa isso se o que tenho basta aos dois? Caso-me, é verdade, com uma família inteira, quatro irmãs que vivem juntas, porém, como me apraz a companhia delas, para mim é apenas uma felicidade a mais...
– Muito me alegraria, senhor – continua o jovem –se minha prima e vós me désseis amanhã a honra de vir ao menos ao banquete de núpcias.
– Senhor, saio muito pouco, e minha mulher menos ainda; vivemos ambos num grande retiro; ela está contente assim, e eu não a incomodo absolutamente.
– Conheço vossas preferências, senhor – retruca d'Aldour –, e respondo-vos que sereis servido a contento... amo a solidão tanto quanto vós e, por sinal, tenho razões de discrição, como já disse: é na campanha, faz um belo dia, tudo vos convida e dou-vos minha palavra de honra que estaremos absolutamente sozinhos.
Lurcie a propósito deixa entrever certo desejo; seu marido não ousa contrariá-la diante de d'Aldour, e combinam o passeio.
– Devíeis querer tal coisa – diz o homem, irritado no momento em que se vê a sós com sua mulher –, bem sabeis que absolutamente não me preocupo com tudo isso; saberei como dar fim a todos esses vossos desejos, e previno-vos de que em pouco tempo planejo isolar-vos numa de minhas terras, onde não vereis ninguém mais além de mim.
E como o pretexto, com ou sem fundamento, acrescentasse muito aos atrativos das cenas luxuriosas às quais Bernac inventava planos quando lhe faltava o realismo, aproveitou a oportunidade, fez Lurcie passar ao seu quarto e lhe disse:
– Iremos... sim, eu prometi, mas pagareis caro pelo desejo que demonstrastes...
A infeliz, acreditando estar próxima do desfecho, suporta tudo sem se queixar.
– Fazei o que vos aprouver, senhor – diz ela humildemente –, vós me concedestes uma graça, sou-vos muito grata.
Tanta doçura, tanta resignação teria desarmado qualquer um que não tivesse um coração tornado empedernido pelos vícios como o do libertino Bernac, mas nada é capaz de o deter; satisfaz-se, dorme tranqüilo; no dia seguinte, d'Aldour, conforme o combinado, vem buscar o casal e partem.
– Vereis – diz o jovem primo de Lurcie, entrando com o marido e a mulher numa casa completamente isolada –, vereis que isso não tem lá muito jeito de uma festa popular; nenhum coche, nenhum lacaio, já vos disse; estamos completamente sozinhos.
Entretanto, quatro mulheres altas de uns trinta anos, fortes, vigorosas e de cinco pés e meio de altura cada uma, avançam sobre a escadaria e vêm receber o sr. e a sra. Bernac da maneira mais honesta.
– Eis minha mulher, senhor – diz d’Aldour, apresentando uma delas –, e estas três aqui são suas irmãs; casamo-nos esta manhã ao alvorecer, em Paris, e os esperamos para celebrar as bodas.
Tudo se passa segundo as leis da mútua cortesia; depois de algum tempo de reunião no salão, onde Bernac se convence, para grande surpresa sua, que ele se encontra tão só quanto o pôde desejar, um lacaio anuncia o almoço, e sentam-se à mesa.
Nada mais descontraído que a refeição, as quatro pretensas irmãs muito acostumadas aos repentes, trouxeram à mesa toda a vivacidade e todo o bom humor possíveis, mas como a decência não é esquecida um minuto sequer, Bernac, enganado até o fim, crê-se na melhor companhia do mundo; todavia, Lurcie encantada de ver o seu tirano numa situação difícil, divertia-se com seu primo, e, decidida em desespero de causa a renunciar enfim a uma continência que não lhe trouxera até aquele momento senão tristezas e lágrimas, bebia com ele o champanhe, inundando-o com os mais ternos olhares; nossas heroínas, que tinham de buscar forças, consagravam-se igualmente à libação, e Bernac, motivado, ainda sem conceber senão uma alegria simples em tais circunstâncias, não se poupava mais do que as outras pessoas.
Entretanto, como era mister não perder a razão, d'Aldour interrompe a tempo e propõe passar ao café.
– Por Deus, meu primo – diz ele, assim que Bernac se encontra afetado –, consenti em vir visitar minha casa; sei que sois homem de bom gosto; eu a comprei e a mobiliei propositadamente para meu casamento, mas temo ter feito um mau negócio; dir-me-eis vossa opinião, por favor.
– De bom grado – diz Bernac –, ninguém como eu entende mais dessas coisas, e estimarei tudo a mais ou menos dez luíses de diferença, garanto.
D’Aldour lança-se sobre as escadas dando a mão a rua bela prima, posicionam Bernac no meio das quatro irmãs, e penetram nessa ordem num apartamento muito escuro e muito afastado, absolutamente ao extremo da casa.
– É aqui a câmara nupcial –diz d'Aldour ao velho ciumento –, vedes essa cama, meu primo; eis onde a esposa vai deixar de ser virgem; ela já não arde de desejos tempo demais?
Era o sinal: no mesmo instante, nossas quatro malandras saltam sobre Bernac, armadas cada uma de um punhado de varas; retiram-lhe as calças, duas delas o imobilizam, e as outras duas se alternam para fustigá-lo e enquanto o molestam vigorosamente:
– Meu caro primo – exclama d'Aldour -, não vos disse ontem que seríeis servido a contento? Não imaginei nada melhor para agradar-vos do que devolver-vos o que dais todos os dias a essa encantadora mulher; vós não sois bastante bárbaro para fazer-lhe uma coisa que não gostaríeis de receber; assim, orgulho-me de fazer-vos minha corte; falta ainda uma circunstância, portanto, à cerimônia; minha prima, segundo dizem, embora há muito esteja ao vosso lado, ainda é tão virgem como se vós tivésseis vos casado apenas ontem; tal abandono de vossa parte provém unicamente da ignorância, seguramente; garanto que é por que não sabeis como proceder... vou mostrar-vos, meu amigo.
Ao dizer isso, tendo ao fundo uma agradável música, o homem fogoso deita sua prima na cama e a torna mulher aos olhos de seu indigno esposo... Só nesse momento termina a cerimônia.
– Senhor – diz d'Aldour a Bernac ao descer do altar –, achareis a lição talvez um pouco severa, mas admiti que o ultraje a que submetíeis vossa esposa era, pelo menos, igual; não sou, nem quero ser, amante de vossa mulher; ei-la, devolvo-a, mas vos aconselho a comportar-vos doravante de maneira mais honesta com ela, caso contrário, ela ainda encontraria em mim um vingador que vos pouparia ainda menos.
– Senhora – diz Bernac furioso –, na verdade esse procedimento...
– É o que vós merecestes – responde Lurcie mas se ele vos desagrada, entretanto, tendes toda a liberdade de expressá-lo; exporemos cada um nossas razões, e veremos de qual dos dois rirá o povo.
Bernac, confuso, reconhece seus erros, não inventa mais sofismas para legitimá-los, lança-se aos joelhos de sua mulher para rogar seu perdão: Lurcie, terna e generosa, o levanta e abraça, ambos retornam a sua casa, e não sei que meios utilizou Bernac, mas desde esse dia, nunca a capital viu casal mais unido, amigos mais ternos e esposos mais virtuosos.

O Marido Padre

Marquês de Sade

O marido padre
Conto provençal

Entre a cidade de Menerbe, no condado de Avinhão, e a de Apt, em Provença, há um pequeno convento de carmelitas isolado, denominado Saint-Hilaire, assentado no cimo de uma montanha onde até mesmo às cabras é difícil o pasto; esse pequeno sítio é aproximadamente como a cloaca de todas as comunidades vizinhas aos carmelitas; ali, cada uma delas relega o que a desonra, de onde não é difícil inferir quão puro deve ser o grupo de pessoas que freqüenta essa casa.
Bêbados, devassos, sodomitas, jogadores; são esses, mais ou menos, os nobres integrantes desse grupo, reclusos que, nesse asilo escandaloso, o quanto podem ofertam a Deus almas que o mundo rejeita.
Perto dali, um ou dois castelos e o burgo de Menerbe, o qual se acha apenas a uma légua de Saint-Hilaire – eis todo o mundo desses bons religiosos que, malgrado sua batina e condição, estão, entretanto, longe de encontrar abertas todas as portas de quantos estão à sua volta.
Havia muito o padre Gabriel, um dos santos desse eremitério, cobiçava certa mulher de Menerbe, cujo marido, um rematado corno, chamava-se Rodin.
A mulher dele era uma moreninha, de vinte e oito anos, olhar leviano e nádegas roliças, a qual parecia constituir em todos os aspectos lauto banquete para um monge.
No que tange ao sr. Rodin, este era homem bom, aumentando o seu patrimônio sem dizer nada a ninguém: havia sido negociante de panos, magistrado, e era, pois, o que se poderia chamar um burguês honesto; contudo, não muito seguro das virtudes de sua cara-metade, era ele sagaz o bastante para saber que o verdadeiro modo de se opor às enormes protuberâncias que ornam a cabeça de um marido é dar mostras de não desconfiar de os estar usando; estudara para tornar-se padre, falava latim como Cícero, e jogava bem amiúde o jogo de damas com o padre Gabriel que, cortejador astuto e amável, sabia que é preciso adular um pouco o marido de cuja mulher se deseja possuir.
Era um verdadeiro modelo dos filhos de Elias, esse padre Gabriel: dir-se-ia que toda a raça humana podia tranqüilamente contar com ele para multiplicar-se; um legítimo fazedor de filhos, espadaúdo, cintura de uma alna , rosto perverso e trigueiro, sobrancelhas como as de Júpiter, tendo seis pés de altura e aquilo que é a característica principal de um carmelita, feito, conforme se diz, segundo os moldes dos mais belos jumentos da província. A que mulher um libertino assim não haveria de agradar soberbamente?
Desse modo, esse homem se prestava de maneira extraordinária aos propósitos da sra. Rodin, que estava muito longe de encontrar tão sublimes qualidades no bom senhor que os pais lhe haviam dado por esposo.
Conforme já dissemos, o sr. Rodin parecia fazer vistas grossas a tudo, sem ser, por isso, menos ciumento, nada dizendo, mas ficando por ali, e fazendo isso nas diversas vezes em que o queriam bem longe.
Entretanto, a ocasião era boa. A ingênua Rodin simplesmente havia dito a seu amante que apenas aguardava o momento para corresponder aos desejos que lhe pareciam fortes demais para que continuasse a opor-lhes resistência, e padre Gabriel, por seu turno, fizera com que a sra. Rodin percebesse que ele estava pronto a satisfazê-la... Além disso, num breve momento em que Rodin fora obrigado a sair , Gabriel mostrara à sua encantadora amante uma dessas coisas que fazem com que uma mulher se decida, por mais que hesite... só faltava, portanto, a ocasião.
Num dia em que Rodin saiu para almoçar com seu amigo de Saint-Hilaire, com a idéia de o convidar para uma caçada, e depois de ter esvaziado algumas garrafas de vinho de Lanerte, Gabriel imaginou encontrar na circunstância o instante propício à realização dos seus desejos.
– Oh, por Deus, senhor magistrado, – diz o monge ao amigo – como estou contente de vos ver hoje! Não poderíeis ter vindo num momento mais oportuno do que este; ando às voltas com um caso da maior importância, no qual haveríeis de ser a mim de serventia sem par.
– Do que se trata, padre?
– Conheceis Renoult, de nossa cidade.
– Renoult, o chapeleiro.
– Precisamente.
– E então?
– Pois bem, esse patife me deve cem écus , e acabo de saber que ele se acha às portas da falência; talvez agora, enquanto vos falo, ele já tenha abandonado o Condado... preciso muitíssimo correr até lá, mas não posso fazê-lo.
– O que vos impede?
– Minha missa, por Deus! A missa que devo celebrar; antes a missa fosse para o diabo, e os cem écus voltassem para o meu bolso.
– Não compreendo: não vos podem fazer um favor?
– Oh, na verdade sim, um favor! Somos três aqui; se não celebrarmos todos os dias três missas, o superior, que nunca as celebra, nos denunciaria à Roma; mas existe um meio de me ajudardes, meu caro; vede se podeis fazê-lo; só depende de vós.
– Por Deus! De bom grado! Do que se trata?
– Estou sozinho aqui com o sacristão; as duas primeiras missas foram celebradas, nossos monges já saíram, ninguém suspeitará do ardil; os fiéis serão poucos, alguns camponeses, e quando muito, talvez, essa senhorazinha tão devota que mora no castelo de... a meia légua daqui; criatura angélica que, à força da austeridade, julga poder reparar todas as estroinices do marido; creio que me dissestes que estudastes para ser padre.
– Certamente.
– Pois bem, deveis ter aprendido a rezar a missa.
– Faço-o como um arcebispo.
– Ó meu caro e bom amigo! – prossegue Gabriel lançando-se ao pescoço de Rodin – são dez horas agora; por Deus, vesti meu hábito, esperai soar a décima primeira hora; então celebrai a missa, suplico-vos; nosso irmão sacristão é um bom diabo, e nunca nos trairá; àqueles que julgarem não me reconhecer, dir-lhes-emos que é um novo monge, quanto aos outros, os deixaremos em erro; correrei ao encontro de Renoult, esse velhaco, darei cabo dele ou recuperarei meu dinheiro, estando de volta em duas horas. O senhor me aguardará, ordenará que grelhem os linguados, preparem os ovos e busquem o vinho; na volta, almoçaremos, e a caça... sim, meu amigo, a caça creio que há de ser boa dessa vez: segundo se disse, viu-se pelas redondezas um animal de chifres, por Deus! Quero que o agarremos, ainda que tenhamos de nos defender de vinte processos do senhor da região!
– Vosso plano é bom – diz Rodin – e, para vos fazer um favor, não há, decerto, nada que eu não faça; contudo, não haveria pecado nisso?
– Quanto a pecados, meu amigo, nada direi; haveria algum, talvez, em executar-se mal a coisa; porém, ao fazer isso sem que se esteja investido de poderes para tanto, tudo o que dissentes e nada são a mesma coisa. Acreditai em mim; sou casuísta, não há em tal conduta o que se possa chamar pecado venial.
– Mas seria preciso repetir a liturgia?
– E como não? Essas palavras são virtuosas apenas em nossa boca, mas também esta é virtuosa em nós... reparai, meu amigo, que se eu pronunciasse tais palavras deitado em cima de vossa mulher, ainda assim eu havia de metamorfosear em deus o templo onde sacrificais... Não, não, meu caro; só nós possuímos a virtude da transubstanciação; pronunciaríeis vinte mil vezes as palavras, e nunca faríeis descer algo dos céus; ademais, bem amiúde conosco a cerimônia fracassa por completo; e, aqui, é a fé que faz tudo; com um pouco de fé transportaríamos montanhas, vós sabeis, Jesus Cristo o disse, mas quem não tem fé nada faz... eu, por exemplo, se nas vezes em que realizo a cerimônia penso mais nas moças ou nas mulheres da assembléia do que no diabo dessa folha de pão que revolvo em meus dedos, acreditais que faço algo acontecer? Seria mais fácil eu crer no Alcorão que enfiar isso na minha cabeça. Vossa missa será, portanto, quase tão boa quanto a minha; assim, meu caro, agi sem escrúpulo, e, sobretudo, tende coragem.
– Pelos céus, – diz Rodin – é que tenho uma fome devoradora! Ainda faltam duas horas para o almoço!
– E o que vos impede de comer um pouco? Aqui tendes alguma coisa.
– E a tal missa que é preciso celebrar?
– Por Deus! O que há de mal nisso? Acreditais que Deus se há de macular mais caindo numa barriga cheia em vez de numa vazia? O diabo me carregue se não é a mesma coisa a comida estar em cima ou embaixo! Meu caro, se eu dissesse em Roma todas as vezes que almoço antes de celebrar minha missa, passaria minha vida na estrada. Além disso, não sois padre, nossas regras não vos podem constranger; ireis tão-somente dar certa imagem da missa, não ireis celebrá-la; conseqüentemente, podereis fazer tudo o que quiserdes antes ou depois, inclusive beijar vossa mulher, caso ela aqui estivesse; não se trata de agir como eu; não é celebrar, nem consumar o sacrifício.
– Prossigamos – diz Rodin - hei de fazê-lo, Podeis ficar tranqüilo.
– Bem – diz Gabriel, dando uma escapadela, depois de fazer boas recomendações do amigo ao sacristão... – contai comigo, meu caro; antes de duas horas estarei aqui – e, satisfeito, o monge vai embora.
Não é difícil imaginar que ele chega apressado à casa da mulher do magistrado; que ela se admira de vê-lo, julgando-o em companhia de seu marido; que ela lhe pergunta a razão de visita tão imprevista.
– Apressemo-nos, minha cara – diz o monge, esbaforido – apressemo-nos! Temos para nós apenas um instante... um copo de vinho, e mãos à obra!
– Mas, e quanto a meu marido?
– Ele celebra a missa.
– Celebra a missa?
– Pelo sangue de Cristo, sim, mimosa – responde o carmelita, atirando a sra. Rodin ao leito – sim, alma pura, fiz de seu marido um padre, e, enquanto o farsante celebra um mistério divino, apressemo-nos em levar a cabo um profano...
O monge era vigoroso; a uma mulher, era difícil opor-se-lhe quando ele a agarrava: suas razões, por sinal, eram tão convincentes... ele se põe a persuadir a sra. Rodin, e, não se cansando de fazê-lo a uma jovem lasciva de vinte e oito anos, com um temperamento típico da gente de Provença, repete algumas vezes suas demonstrações.
– Mas, meu anjo – diz, enfim, a beldade, perfeitamente persuadida – sabeis que se esgota o tempo... devemos nos separar: se nossos prazeres devem durar apenas o tempo de uma missa, talvez ele já esteja há muito no ite missa est.
– Não, não, minha querida – diz o carmelita, apresentando outro argumento à sra. Rodin –, deixai estar, meu coração, temos todo o tempo do mundo! Uma vez mais, minha cara amiga, uma vez mais! Esses noviços não vão tão rápido quanto nós... uma vez mais, vos peço! Apostaria que o corno ainda não ergueu a hóstia consagrada.
Todavia, mister foi que se despedissem, não sem promessas de se reverem; tracejaram novos ardis, e Gabriel foi encontrar-se com Rodin; este havia celebrado a missa tão bem quanto um bispo.
– Apenas o quod aures – diz ele – embaraçou-me um pouco; eu queria comer em vez de beber, mas o sacristão fez com que eu me recompusesse; e quanto aos cem écus, padre?
– Recuperei-os, meu filho; o patife quis resistir, peguei de um forcado, dei-lhe umas pauladas, juro-vos, na cabeça e noutras partes.
Entretanto, a diversão termina; nossos dois amigos vão à caça e, ao regressar, Rodin conta à sua mulher o favor que prestou a Gabriel.
– Celebrei a missa – dizia o grande tolo, rindo com todas as forças – sim, pelo corpo de Cristo! Eu celebrava a missa como um verdadeiro vigário, enquanto nosso amigo media as espáduas de Renoult com um forcado... Ele dava com a vara; que dizeis disso, minha vida? Colocava galhos na fronte; ah! boa e querida mãezinha! como essa história é engraçada, e como os cornos me fazem rir! E vós, minha amiga, o que fazíeis enquanto eu celebrava a missa?
– Ah! meu amigo – responde a mulher – parecia inspiração dos céus! Observai de que modo nos ocupavam de todo, a um e a outro, as coisas do céu, sem que disso suspeitássemos; enquanto celebráveis a missa, eu entoava essa bela oração que a Virgem dirige a Gabriel quando este fora anunciar-lhe que ela ficaria grávida pela intervenção do Espírito Santo. Assim seja, meu amigo! Seremos salvos, com toda certeza, enquanto ações tão boas nos ocuparem a ambos ao mesmo tempo.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Amanhecendo

O dia já estava por se anunciar no horizonte infindável do tédio. Nada há muito acontecia na vida estável de Clara. Seus dedos tamburilaram aleatoriamente mais uma vez o teclado do computador, sua mente estava vazia, seu corpo estava inerte. Foi acordada de sua letargia abruptamente por uma freada de carro. A chuva fazia com que a pista ficasse escorregadia. Ouviu um baque seguido de um tilintar de vidros, correu para a janela. Pode ver o vapor subir do veículo prateado que se chocara com o poste. Um vulto alto e esguio saiu do veículo bradando. Aquela hora da madrugada, todos os apartamentos dormiam, apenas ela era testemunha da má sorte daquele motorista. Ele parcecia irritado, agitava-se com dramacidade levando as mãos a cabeça. Esmurrou a lataria do veículo com raiva. Clara vestiu rapidamente seu roupão, calçou uma chinela e chamou o elavador. Desceu até a rua. Quem poderia -la aquela hora quase seminua ? Ninguém com certeza. Abriu o portão do edifício, e ganhou a rua, sentia um prazer com as gotas de chuva caindo-lhe na face. Apressou-se para o encontro com aquele homem. Chamou-o:

_O senhor está bem ?

Ele virou-se para ver quem o interpelava, fitou os olhos negros de Clara, sua pele alva destacava sua pequena boca escarlate. Os cabelos loiros emolduravam o pequeno rosto angelical.

-Sim, estou bem, nada me aconteceu, mas veja o carro, não conseguirei chegar ao aeroporto, perderei minha viagem. _um sorriso de canto de boca suavizou aquele rosto trigueiro. _ Desculpe-me moça, meu nome é Luciano, obrigada por vir ao meu socorro mas acho que você está se molhando.

Ela sorriu-lhe de volta, fechou o roupão e o apertou-lhe contra o peito.

_Ah, ao menos isso conseguiu tirar-me do tédio_respondeu_Prazer Luciano, me chamam de Clara.

Luciano viu os mamilos rijos sob o roupão. Tinha um corpo roliço, a cintura bem marcada, uma pele alva.

_Clara, acho que não estou em meus melhores dias, roubaram meu celular a noite passada, acaso me emprestaria seu telefone ?

_Sim, venha, moro ali.

Luciano pegou sua pasta e fechou o carro seguindo Clara.

_Sabe, você é uma moça corajosa, nem me conhece e me leva a seu apartamento.

_Nada poderá me acontecer, respondeu, a não ser que eu queira.

Ela o encarou com seriedade. Ele se deixou enrubescer, e ela riu. Venha, é aqui.

-Chegamos !

Ela abriu a porta e um cheiro de incenso invadiu as narinas de Luciano, era um cheiro agradável de sândalo. Venha, o telefone é aqui em meu quarto. Ele adentrou aquele santuário feminino, varreu todo o ambiente com seus olhos rápidos, fez uma análise da moradora daquele apartamento. Estantes com livros, uma jarra de água ao lado da enorme cama de casal, um laptop sobre a cama, perfumes, chapéus...

Teclou os números e ouviu aquela voz irritante da operadora dizer-lhe que estava fora de área. Virou-se e Clara estava com uma taça de conhaque, uma toalha e um roupão que lhe estendeu.

_Tome e seque-se, acho que isso vai demorar.

Ele obedeceu.

_Vou esperar lá fora, me dê suas roupas que colocarei na secadora.

Tomou o líquido que o aquecera de imediato, retirou suas vestes pausadamente enquanto enxugava o corpo. Uma sensação de bem estar invadi-o enquanto uma música entrava vagarosamente pelo quarto. Vestiu o roupão e tentou mais uma vez a ligação. Em vão. Havia chegado na cidade há dois dias, viera a negócios. Trabalhava com publicidade e estava fechando uma conta com uma empresa de produtos gastronómicos.

_Oi, Luciano, terminou ? Perguntou a voz atrás da porta.

Ele abriu a porta já com as roupas na mão para entregar a Clara. Ela era muito sensual, tinha os lábios úmidos levemente entreabertos. Ele sentiu tesão. Seu membro estava quente, corou novamente com a possibilidade dela ver o volume sob sua veste.

_Sim, mas acho que estou dando trabalho. Olha Clara, acho melhor eu chamar um táxi, meu amigo está com o telefone desligado, não conheço ninguém aqui e..._foi interrompido.

_ E vai pra onde ? Pra um hotel esperar o dia amanhecer, para voltar e resolver tudo ? Deixa de bobagens, fique a vontade. Sabe que está longe de tudo, não sabe ? Vamos esperar, em 1 hora o dia amanhece, ficará mais fácil resolver tudo, pode acreditar. Se quiser tirar um cochilo, deite-se no sofá.

Ela deu-lhe as costas sem se importar com sua opinião. Ele era belo, viril, um homem como há tempos não via, a não ser em suas fantasias. Começou a imaginar coisas. Colocou um travesseiro e um lençol sobre o sofá, deu tapinhas no móvel e o chamou para se sentar.

_Venha, sente-se. Ficar aí em pé não resolverá.

Ela reclinou-se deixando aparecer suas coxas. Jogou um braço por cima da cabeça alisando o roupão por fora na altura dos seios. Olhou-o com fome, era sim, uma linda mulher.

Luciano foi a seu encontro, um pouco confuso, aquilo não poderia ser verdade. Como assim ? Do nada isso se dava ? Aquela bela mulher ali, como um presente se oferecendo a ele. Ele andou devagar a seu encontro. Ela pegou o conhaque, levantou-se, abriu o roupão devagar e jogou em todo o seu corpo o líquido dourado. Era muito sensual. Seus pelos hirsutos brilhavam, seu mamilo róseo estava volumoso. Ela então colocou a mão entre as pernas e começou a sussurrar palavras incompreensíveis. Ele mordiscou seu seio, subiu até seu rosto e beijou-lhe a boca. Colocou sua cabeça entre as mãos fortes e beijou-lhe seguidamente com violência. Ela entregou-se, sua saliva estava quase viscosa.Seu pênis estava teso, quase a arrebentar. Ela cuspiu em sua mão e esfregava docemente seu pau alternando a pressão que fazia. Ela o empurrou com força, e dirigiu-se ao quarto. Entrou no banheiro e saiu de lá com um pote de creme e um massageador, desses que se usam para relaxar os músculos.



_Venha, o que você está esperando ?



Ele tirou o roupão e foi ao encontro de Clara que já estava deitada na cama, de quatro, com as pernas bem separadas. Sua boceta era rósea, sem pelos na parte de baixo. Os grandes lábios estavam lambuzados de creme. Ela disse:

Venha, é comestível, prove, é um creme de pêssegos.

Ele agarrou-a pelos cabelos, se pôs por trás e enfiou com força seu cacete naquela grota. Ela começou a gemer com doçura e esteria.

_Me chupa, suplicou ela.

Ele então deitou e puxou os quadris dela por cima de si. Pediu que ela sentasse em seu rosto, ela o obedeceu. Ele cheirou o seu sexo com tesão de macho. Com as costas das mãos separou sua xoxota molhada e sugou sua pequena pérola. Sugava como se chupasse uma manga dando lambidinhas de vez em quando. Ela rebolava sobre a boca de Luciano, enquanto dava belisquinhos em seus seios.


Ela então o beijou na boca com tesão e ternura e depois sentou-se mais uma vez sobre ele. Pegou a mão dele e conduziu-a até seu pequeno orifício anal. Ele introduziu o dedo em seu , enquanto sugava seu clitóris. Ela urrou. Ele pôde sentir as vibrações que vinham de sua boceta quente, ela abria e fechava em espasmos, ela gozara. Isso deu-lhe mais tesão, então Clara, virou-se ao contrário, e sentou mais uma vez sobre sua boca, ficaram em posições invertidas, ela engoliu todo o seu falo, até quase sufocar, a saliva escorria por toda a extensão do pau, ela então o besuntou e com as mãos fazia movimentos para cima e para baixo enquanto o chupava, lambendo vez por outra a cabeça da pica. Aquele movimento fazia barulhos molhados que os excitavam cada vez mais. Ela ligou o aparelho e colocou sobre os testículos de Luciano enquanto engolia o pênis. Virou-se, ficou em pé sobre ele, desceu com sua xoxota em cima do cacete que já a esperava. Tinha uma abertura quente, úmida e gulosa. Ela ficou agaxada, levantando e descendo em sua piroca.



_Come, come gostoso, se farta com a minha boceta, mete nela, mete. Me come !!!



Luciano gozou, e ela tomou todo o suco que dele saía.



Ela então se colocou mais uma vez de quatro, colocou o massageador entre suas pernas e pediu que ele metesse em seu . Ele a pegou com fúria, segurou seus quadris e meteu o mais fundo que pode, ela gritou. Luciano tampou-lhe a boca, mordeu-lhe as costas e gozou mais uma vez. Clara estremeceu, deixou-se cair para o lado com as narinas dilatadas, teve mais um orgasmo. O sol invadiu o quarto dando novas cores ao espaço. Ela sorriu e deu-lhe um bom dia. Os dois ficaram naquele extasê por alguns minutos. Ouviram uma sirene de carro de polícia, era talvez o socorro chegando, talvez encrenca. Olharam pela janela, Clara pegou as roupas de Luciano que ainda estavam encharcadas, ele vestiu-se. Foram até a porta, ela deu-lhe um beijo na face e se despediram sem nenhuma palavra.

 
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